BIOGRAFIAS ARTISTAS BRASILEIROS
ver textos e imagens em MAC USP
Alfredo Volpi
"
Volpi nasceu em Lucca, na Itália, em 1896.
Filho de imigrantes, chegou ao Brasil com pouco mais de um ano de idade. Foi decorador de paredes. Aos 16 anos pintava frisos, florões e painéis. Sempre valorizou o trabalho artesanal, construindo suas próprias telas, pincéis. As tintas eram feitas com pigmentos naturais, usando a técnica de têmpera.
Foi um auto didata. Sua evolução foi natural, tendo chegado à abstração por caminhos próprios, trabalhando e dedicando-se a essa descoberta. Nunca acreditou em inspiração.
Alfredo Volpi não participou dos movimentos modernistas da década de 20, apoiados pela elite brasileira. Manteve-se à parte desses grupos. Não teve acesso aos mestres europeus, como era comum na época.
Formou, na década de 30, o Grupo Santa Helena que com outros pintores,- Rebolo, Graciano, Zanini, Bonadei, Pennacchi,- constituiram um trabalho voltado para a pesquisa, desenvolvimento de técnicas apuradas e observação.
Na década de 40, através das paisagens de Itanhaém, seu novo caminho pictórico começou a se mostrar. Abandonou a perspectiva tradicional, simplificou e geometrizou as formas. Mais tarde, chegou à abstração. Após seu encontro com o pintor italiano Ernesto De Fiori, seus gestos ficaram mais livres, dinâmicos e expressivos. A cor, mais vibrante.
Nos anos 50, as bandeirinhas das festas juninas, de Mogi das Cruzes, integraram-se às suas fachadas. Posteriormente, destacou-as do seu contexto original. A partir da década de 60, suas pinturas são jogos formais: todos os temas são deixados de lado e as bandeirinhas passaram a ser signos, formas geométricas compondo ritmos coloridos e iluminados
Volpi morreu aos 92 anos, em 1988, em São Paulo.
"
ver imagem - MAC USP
Anita Malfatti
"Nasceu em 1889, em São Paulo. Logo pequena teve contato com a arte, pois, sua mãe era professora de pintura. Incentivada pela família foi, em 1910, para a Alemanha, onde frequentou, por três anos, a Academia Real de Berlim. Estudou gravura, desenho e pintura, além de conhecer os principais mestres do expressionismo alemão.
De volta ao Brasil, em 1914, realizou sua primeira exposição individual. Foi a seguir para Nova York estudar na Independent School of Art, experiência marcante em sua obra. Teve contato com artistas e intelectuais.
Anita iniciou uma obra de tendência claramente expressionista, longe dos padrões acadêmicos vigentes até então no Brasil. Sua exposição em 1917, em São Paulo, recebeu crítica ferrenha de Monteiro Lobato.
Anita é considerada precursora do modernismo nas artes plásticas brasileiras. As obras A Boba e Torso fazem parte dos trabalhos expostos em 1917, considerados o climax de sua produção.
Com bolsa do governo de São Paulo foi para Paris, em 1923, onde conviveu com Brecheret, Di Cavalcanti, além de pintores europeus. Ao retornar, em 1928, organizou várias mostras de arte e deu aulas de pintura.
Em 1937 integrou-se à Família Artística Paulista. Foi diretora do Sindicato de Artistas Plásticos. Depois da Segunda Guerra, seu trabalho tornou-se mais espontâneo do que intelectual, com uma carga maior de fantasia. Participou das I e VII Bienais de São Paulo. Morreu em 1964, em São Paulo."
ver imagem - MAC USP
Antonio Gomide
"Antonio Gomide nasceu em Itapetininga, no interior de São Paulo, em 1895. Mudou-se para a capital paulista em 1910. Três anos depois foi para a Suíça, onde frequentou a Escola de Belas Artes de Genebra. Viajou pela Espanha e Portugal e, em 1919, voltou ao Brasil. No ano seguinte, retornou à Suiça e, em 1921, foi para Paris. Nessa época, os movimentos artísticos que haviam introduzido novas estruturas nas artes visuais, como os Cubismo e Dadaísmo, já tinham tido sua fase heróica. Picasso, Braque e Léger, entretanto, continuavam a desenvolver suas pesquisas. Gomide entrou em contato com esses artistas e, junto a Brecheret e Vicente do Rêgo Monteiro, a artistas latino-americanos e europeus, formou um grupo que ficou conhecido, mais tarde, como Escola de Paris, largamente influenciado pela arte da época.
Pintou Paisagem com Barcos e Ponte de Saint Michel, duas obras que mostram claramente suas pesquisas cubistas, com esquemas idealizados, formas sintéticas e fatura com espatuladas geometrizadas. No entanto, os verdes claros, azuis, amarelos e vermelhos diluem a atmosfera cubista. Nesse período, Gomide desenhou estamparias para tecidos e vendeu aquarelas e desenhos nas ruas de Paris.
Voltou para São Paulo em 1926. Fez ilustrações para a Revista de Antropofagia. Nessa década, sua obra tem fortes traços da Art Déco, tendo sido um inovador nas artes decorativas em São Paulo. Fez vitrais para igrejas, além de cerâmicas, objetos e tapeçarias.
As influências desse período são exemplificadas, neste percurso, por Estudo para Estamparia, números 7 e 15, e pelas aquarelas Pierrô e Colombina e Duas Figuras I.
Gomide desenvolveu temas religiosos a partir de 1922, quando foi para Tolouse, no Institut Catholique, trabalhar com Marcel Lenoir. Conheceu a técnica de afresco e expressou-se através desse meio inúmeras vezes. O óleo Cabeça de Cristo e a aquarela Estudo para Santa Ceia refletem essa técnica e a temática renascentista estudada com Lenoir.
No ano de 1932, data da Revolução Constitucionalista, fez aquarelas e gravuras com temas militares. Posteriormente, fez gravuras com temas populares e afro-brasileiros, além de vários nus femininos. Participou da fundação do CAM, Clube dos Artistas Modernos. Nos anos 40, foi professor de arte em São Paulo.
Em 1951, participou da I Bienal Internacional de São Paulo. No final da vida foi perdendo a visão e passou a utilizar cores mais fortes. Quando não pôde mais pintar, dedicou-se à escultura. Morreu aos 72 anos, em 1967, em Ubatuba, São Paulo.
"
ver imagem - MAC USP
Emiliano Di Cavalcanti
"Nasceu no Rio de Janeiro em 1897. Em 1914, a revista Fon-Fon publicou seus desenhos de caricaturas. Matriculou-se na Faculdade de Direito dois anos depois e em 1917, mudou-se para São Paulo, não tendo terminado o curso. Conviveu com Mario e Oswald de Andrade, Tarsila, Anita e Brecheret. Interessado em pintura, frequentou, em São Paulo, o ateliê do pintor George Elpons, um alemão de influências impressionistas. É considerado, entretanto, um autodidata.
Di Cavalcanti foi o idealizador da Semana de Arte Moderna de 1922. Participou de sua organização, fez os catálogos e programas e expôs doze pinturas.
Entre 1923 e 1925, viveu em Paris, época em que entrou em contato com Picasso, Braque e Matisse. O Beijo data dessa época, evocando uma atmosfera romântica de sua juventude. Em viagem à Itália, pôde ver os clássicos, que contribuiram para sua formação de pintor. Teve influências, também, de Delacroix, de Gauguin e dos muralistas mexicanos.
Filiou-se ao Partido Comunista e a partir de então, as temáticas sociais e nacionais tornaram-se presentes em suas obras.
Retornou a Paris em 1937, onde viveu até 1940. Mulher Sentada, exemplifica grande parte de sua produção, marcada pela temática da sensualidade da mulata brasileira.
Executou vários painéis, publicou álbuns com gravuras e serigrafias, ilustrou livros, bilhetes de loteria e desenhou jóias. Escreveu crônicas e comentários para jornais e revistas. Participou das I, II (prêmio de Melhor Pintor Nacional) e VII Bienais de São Paulo, da XXVIII Bienal de Veneza, além de inúmeras exposições no Brasil e no exterior. Morreu em 1976, no Rio de Janeiro.
"
ver imagem - MAC USP
Lasar Segall
"Nasceu em 1891, em Vilna, capital da Lituânia. Aos 15 anos viajou para a Alemanha, onde cursou a Academia de Belas Artes de Berlim. Em 1910, transferiu-se para Dresden onde também frequentou a Academia de Belas Artes. Dessa época, datam suas primeiras gravuras. Mais tarde, integrou-se ao movimento expressionista alemão.
Viajou para a Holanda e fez sua primeira visita ao Brasil em 1912. Em 1913, expôs em São Paulo e Campinas. Um ano depois, retornou a Dresden. A partir de 1914, participou ativamente do movimento expressionista.
Fez sua segunda viagem ao Brasil em 1923, tendo se fixado em São Paulo. Seus trabalhos dessa época retratam o povo e a terra brasileiros. Segall adequou a cultura imigrante à nova pátria, assim como ajustou sua palheta às cores tropicais. Perfil de Zulmira pode ser visto como uma tentativa de definir uma temática local através do retrato.
Suas primeiras esculturas datam de 1930. Em 1932, executou cenário e decoração para a inauguração da Sociedade Pró Arte Moderna, SPAM, além de ter participado de sua fundação. Em 1935, pintou uma série de retratos da pintora Lucy Ferreira tendo, em seguida, retomado seus temas expressionistas.
Em 1955, realizou trabalhos com características abstracionistas. Participou das I, III, IV, V Bienais de São Paulo e da XXIX Bienal de Veneza. Morreu em São Paulo, em 1957.
Em 1970 foi fundado o Museu Lasar Segall, em sua antiga residência, na Vila Mariana.
"
ver imagem - MAC USP
Tarsila do Amaral
http://www.tarsiladoamaral.com.br
"Nasceu em 1886 em Capivari, São Paulo. Passou a infância e cresceu na fazenda de sua família, no interior do Estado. Em 1902 viajou para a Europa, tendo estudado em Barcelona. Quatro anos mais tarde, voltou ao Brasil.
Estudou escultura e com Pedro Alexandrino, desenho e pintura. Em 1920 foi para Paris, onde cursou a Academia Julian. De volta ao Brasil, integrou-se ao grupo modernista de São Paulo, Grupo dos Cinco, junto a Anita Malfatti, Menotti del Pichia, Oswald e Mario de Andrade.
Voltou para a Europa em 1923, onde estudou pintura com André Lhote, Albert Gleizes tendo, também, frequentado o ateliê de Fernand Léger. Tarsila conseguiu filtrar suas experiências européias e aplicá-las à cultura brasileira.
Viajou pelo Oriente Médio em 1926 e no mesmo ano, casou-se, em São Paulo, com o poeta Oswald de Andrade. Dois anos depois, pintou Abaporu, primeira tela do movimento Antropofágico, desencadeado por Oswald. Foi diretora-conservadora da Pinacoteca do Estado. Pintou as primeiras telas sobre problemas sociais a partir de 1933. Costureiras, iniciada nessa época e finalizada em 1950, exemplifica a preocupação social da artista.
Escreveu artigos sobre arte e cultura no Diário de São Paulo e, nas décadas de 40 e 50, retomou as fases Antropofágicas e Pau-Brasil. Participou das I e VII Bienais de São Paulo, e da XXXII Bienal de Veneza em 1964. Morreu em 1973, em São Paulo.
"
ver imagem - MAC USP
Victor Brecheret
"Nasceu em Virtebo, na Itália, em 1894. Frequentou o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo em 1912, onde aprendeu desenho e decoração. Em 1913, de volta à Itália, estudou escultura com Arturo Dazzi. Abriu seu primeiro ateliê em 1915, em Roma. Foi influenciado por mestres renascentistas, pelo impressionista Rodin e por Mestrovic.
Retornou ao Brasil em 1919, tendo trazido idéias de uma escultura moderna. No ano seguinte, conheceu os escritores Oswald de Andrade e Mario de Andrade e o pintor Di Cavalcanti. Em 1921, com bolsa do governo de São Paulo, foi estudar em Paris. Um ano depois, participou da Semana de Arte Moderna, com algumas esculturas. Nessa época, sua produção passou por uma simplificação de formas, influenciado por Brancusi e pela Arte Decô.
Em 1925 foi premiado no Salão da Sociedade dos Artistas Franceses. Nos anos 30 fez algumas esculturas abstratas. Participou da fundação da Sociedade Pró Arte Moderna, SPAM, em São Paulo. Em 1936 iniciou a execução do Monumento às Bandeiras. A partir do final dos anos 40, sua obra apresentará temas nacionais e indígenas e formas cada vez mais orgânicas e essenciais.
Brecheret participou das XXV e XXVI Bienais de Veneza (1952 e 1950), e das I, III e IV Bienais de São Paulo. Na Bienal de 1951, recebeu o prêmio de Melhor Escultor Nacional.
Morreu em 1955 em São Paulo.
"
ver imagem - MAC USP
|