WALTER LEWY
(1905-1995)
Nascido em Oldesloe (Alemanha) e falecido em São Paulo.
De 1923 a 1927 frequentou em Dortmund a Escola de Artes e Ofícios, datando de então suas primeiras pinturas que ele próprio filia esteticamente ao Realismo Mágico.
Do período em que estudei e integrei o grupo do Realismo Mágico, ficou-me a lembrança de ter conhecido os melhores pintores da minha terra natal e de ter travado contato com as artes plásticas de uma forma sistemática. Do Realismo Mágico ficou-me como que uma abertura para o surrealismo - uma espécie de transição.
Como membro da união dos Pintores da Vesfalia, participa em fins da década de 1920 de inúmeras coletivas em cidades como Dortmund e Bochum. Mudando-se em 1929 para Bad Lippringe, ali realiza em 1932 sua primeira individual imediatamente fechada pelos nazistas. De então até 1936 é proibido de exercer como judeu qualquer atividade artística na Alemanha que abandona em 1937 emigrando para o Brasil.
Fixado em São Paulo dedica-se no começo ao desenho publicitário e a ilustrações de livros para várias editoras. De 1938 datam seus primeiros desenhos feitos no Brasil, paisagem em sua maior parte ainda não filiada ao Surrealismo ou esboços de cactáceas feitos do natural na estufa que construiu em sua residência interessado que era desde a infância pela Botânica e os cactos em particular.
A partir de 1939 retorna a pintura e filia-se ao Surrealismo e trava com vários pintores brasileiros - como Di Cavalcanti, Pancetti, Bonadei, Tarsila, Graciano e Rebolo.
Exposições:
1939 a 47
Participa de todos os salões patrocinados pelo Sindicato dos Artistas Plásticos.
1944
Realiza sua primeira individual no Ateliê de Graciano.
Várias outras ocorreram nos anos futuros notadamente em 1947 na Galeria Ita.
1951/61/65
Tomou parte de destacadas mostras coletivas como a Bienal de São Paulo.
1952
Instituto de Arte Moderna de São Paulo.
1953
Salão Paulista de Arte Moderna - diversas premiações desde 1953.
1956
Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Medalha de Bronze no Salão Baiano de Belas Artes.
1958
Galeria Antigo Novo.
1960
Galeria Aremar, Campinas.
1962
Galeria KLM.
1963
Galeria São Luiz.
1964
Galeria La Ruche.
1965
Primeiro Prêmio Governo do Estado.
1966
Galeria Guignard, Belo Horizonte, MG.
1968
Galeria Goeldi, Rio de Janeiro, RJ.
1969
Convidado especial da Sala Surrealista e Arte Fantástica organizada por Felix Labisse.
1971
Galeria Irlandini, Rio de Janeiro, RJ.
1972
Galeria Portal, dedicando-lhe o Museu de Arte Moderna de São Paulo.
1974
Importante retrospectiva por ocasião dos seus 35 anos de pintura no Brasil.
Além da pintura Walter Lewy, dedicou-se a paisagismo (1953/66), à gravura e a ilustração, destacando-se neste ultimo gênero com os desenhos que realizou em 1956 para Metamorfose de Kafka (Editora Civilização Brasileira).
Considerado um dos poucos pintores surrealistas em atividade no Brasil Walter Lewy explorou em suas pinturas aquilo a que Sergio Milliet denominou em 1962 de "Fantasia Cósmica". Dotado de técnica límpida e segura o artista concretizou imagens entre o real e o irreal - pedras que destituídas de sua gravidade, flutuam no espaço, formas a meio caminho entre o animal, o mineral e o vegetal, paisagens extraterrestres e visões de scince-fiction. A despeito de absurdas suas rochas suspensas no ar e mulheres-cactos são de uma realidade pictórica a toda prova impondo-se pela construção, pela qualidade do desenho e pela sensibilidade do colorido sem se deixar de lado o apuro da execução e sua extrema tipicidade. Porque se é justo detectar em sua arte influencias de outros pintores, notadamente Max Ernst e Tanguy, não menos justo será constatar a mestria com que as aglutinou Lewy, sobrepondo-lhes sua própria personalidade.
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