MEMÓRIAS VISUAIS
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"A Capucheta Verde" - 80 x 100 cm acrílico s/ tela

"Azimute Fatal" - 90 x 2120 cm acrílico s/ tela
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I . Apresentação:
Esta é a quarta exposição individual de Gilberto
Salvador na Prova do Artista Galeria de Arte. A
mostra, que será aberta no dia 30 de outubro,faz
parte de uma série denominada Memórias Visuais e
compõe um circuito de quatro exposições que se
realizarão nos seguintes locais:
- Curitiba - Galeria de Arte Fraletti e Rubbo
- Campo Grande - Art Galeria Mara Dolzan
- Salvador - Prova do Artista Galeria de Arte
- Florianópolis -Museu de Arte de Santa Catarina
As exposições foram elaboradas com pinturas re-
centes do artista e têm uma conotação iconográ-
fica, com imagens da memória do mesmo, onde ges-
tos, traços, aves, bicicletas, pipas e leões
compõem os elementos básicos das suas composi-
ções. São 18 telas com pintura acrílica sobre
algodão em dimensões variadas.
Para este circuito de mostras foi elaborado um
catálogo de obras das exposições, com texto de
apresentação do músico Paulinho da Viola, amigo
do artista, que segue anexo junto com o depoi-
mento de Gilberto Salvador.
Esta suíte de exposições está integrada em pro-
jeto aprovado pelo Ministério da Cultura e com o
apoio das empresas Engevix Engenharia Ltda e
Instituto Takano.
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II . Mostra paralela
Lançamento de Livro Paralelo Dia 30 de outubro
artista também estará lançando,na mesma Galeria,
o seu novo livro de gravuras "O Reino Interior",
de autoria de Jacob Klintowitz.
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"Pipolino, Il Bambino" - 90 x 120 cm acrílico s/ tela
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"Vento Aragano" - 130 x 160 cm acrílico s/ tela

"Azimute Fatal" - 90 x 120 cm acrílico s/ tela

"A roda da Fortuna" - 80 x 120 cm acrílico s/ tela

"Pedalando no Azul" - 100 x 200 cm acrílico s/ tela
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III. Currículum
Gilberto Salvador (São Paulo, 1946)
Exposições Individuais
1965 Galeria do Teatro de Arena, SP
1966 Artécnica Galeria, SP
1975 Galeria Paulo Prado. SP
1976 Galeria Arte Global, SP
1979 Museu de Arte Popular de Mato Grosso, Cuiabá, MT
1980 Galeria Oscar Seraphico, Brasília,DF
1983 A .M. Niemeyer,RJ,Kraft Escritório de Arte,Porto Alegre, RS
1985 Museu de Arte de São Paulo (MASP),SP
1986 Dan Galeria,SP
1987 Brasil Inter Art Galerie, Paris,França
1988 Bolsa de Arte de Porto Alegre, RS, Prova do Artista,Salvador,BA
1989 Brasil Inter Art Galerie, Paris, França
1991 Prova do Artista, Salvador,BA
1995 Museu de Arte de São Paulo (MASP),SP
1996 Fraletti Rubbo Galeria de Arte, Curitiba,PR
1998 Galeria Aloísio Cravo, São Paulo, SP
2001 O Reino Interior, Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP
Exposições Coletivas
1964 Galeria da Associação Cristã de Moços, São Paulo,SP
1965 I Salão de Arte Contemporânea de Campinas, SP
1967 XVI Salão de Arte Moderna de São Paulo, SP
-IX Bienal de São Paulo, SP - I Salão Jovem
de Arte Contemporânea Museu de Arte Contemporânea - USP, SP
1969 X Bienal do Museu de Arte Moderna de São
Paulo,SP - I Salão de Arte Moderna de Santos, SP, III Salão Jovem de Arte Contemporânea - Museu de Arte Moderna, RJ
1975 Salão do Jornal do Brasil - Museu de Arte
Moderna, RJ
1976 Panorama de Arte Brasileira - Pintura,Museu
de Arte Moderna de São Paulo, SP
1977 XVI Bienal Internacional de São Paulo, SP,
Panorama de Arte Atual Brasileira - Desenho e Gravura, MAM São Paulo,SP
1978 I Bienal Latino Americana de São Paulo, Prédio da Bienal,SP
1979 Fundació Joan Miró, Barcelona, Espanha
1986 II Bienal Internacional de Havana, Cuba
1989 Barcelona Art Forum (BIAF), Barcelona, Espanha
1991 Latin Art Gallerie, Nagoya, Japão
1992 Brasilian Kunst Art - Landesbank Galerie, Munique e Stutgat,Alemanha
1998 XI Bienal Iberoamericana de Arte, México
1999 "O Gesto Consolidado" -Galeria de Arte Fraletti e Rubbo,Curitiba,PR
b>2000 Arte e Tecnologia, Museu de Arte de Santa
Catarina, Florianópolis, SC, XII Bienal
Iberoamericana Desenho, México.
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IV. Texto de Paulinho da Viola
"A imponente figura do pássaro de asas abertas,
projetada em toda a extensão horizontal do quadro num primeiro momento, parece referir, simbolicamente, o amplo sentido de liberdade proposto
na pintura refinada e amadurecida de Gilberto
Salvador. A imagem, aparentemente banal em sua
simplicidade, isenta de qualquer rigidez, é na
verdade,algo que pretende reafirmar a possibilidade de novos potenciais tratados no encaminhamento da própria linguagem, destacando-se, de
certo modo, sobre os demais planos e representando um dado conceitual e estrutural de extrema
importância na obra do artista. Ás vezes, apenas
sugerida quase abstrata, ele se integra ao fundo
com bastante suavidade,transformando-se em parte
essencial no equilíbrio da composição.É interessante notar seu aparecimento em diferentes fases
de um trabalho iniciado pouco depois do golpe
militar de 64, com proposições de caráter figurativo, elaborado sobre o drama político-social
que mobilizou milhares de pessoas no país contra
o pesadelo que, da forma mais autoritária, restringiu a liberdade de pensamento e retardou a
construção de um verdadeiro Estado democrático
entre nós.
Não obstante haver o pintor participado do extenso movimento de resistência referido acima,
percebeu-se com clareza que o significado deste
símbolo, aqui é bem diferente.Pretende, creio eu
suscitar naquele que o vê a idéia de um propósito maior no âmbito da criação artística,a partir
de uma visão desvinculada de modismos, propondo
uma obra aberta a todas as variantes de representação criada pelo homem sensível. Do mesmo
modo, outras figuras, quase imperceptíveis - uma
bicicleta ou uma silhueta feminina, dispõem-se a
seguir outras funções da mesma proposição que
nos faz refletir sobre riqueza do universo pictorial que se abre de maneira prazerosa aos nossos olhos. Certa vez, conversando com o pintor
sobre a importância desse aspecto tantas vezes
ressaltado em suas telas, não foi difícil constatar sua relação direta com determinadas questões, próprias dos artistas, quanto á necessidade de prosseguir em seu trabalho experimental,
embora em permanente tensão ante o desafio de
ter que dizer as coisas da forma mais criativa e
expressiva possível. Na ocasião,pintor e músico
trocaram impressões sobre suas experiências pessoais durante o processo criativo. Lembro-me de
ter falado do desejo, nem sempre alcançado de
realizar alguma coisa nova; dos impasses e do
abandono, a certa altura, do projeto. Em alguns
casos, ficamos surpresos com a semelhança de
comportamento na maneira de tratar a idéia original, bem como duas mudanças ocorridas durante
seu desenvolvimento.Apesar da dessemelhança dos
meios de expressão disponíveis de cada um,não há
nada que impeça esta estreita e proveitosa relação, principalmente se considerarmos a ligação
natural existente entre dois elementos fundamentais: a cor e o som.
Aqui nos deparamos,apesar da enorme dificuldade
de tradução das palavras, com a sutil musicalidade manifesta em alguns desses quadros. Algo
que, por motivos óbvios, não pode "escutar" de
olhos e espíritos fechados, e que resulta de um
antigo apaixonado "caso" do pintor com a música.
Um especialista poderia falar muito mais e melhor da obra do nosso querido Giba. De planos,
texturas, linhas, cores e da discreta elegância resultante de suas combinações. Dos grafismos, que permitem quebrar alguma dureza eventual
no conjunto. Ou mesmo da alegria; do lúdico; do
prazer transmitido pela magnífica interação da
linguagem cromática. Talvez, quem sabe, do sensualismo que, em certos momentos, inspira-nos
sua gestualidade. No momento, seria ir longe demais. Mesmo porque, acredito que muitos textos
sobre obras de artistas plásticos não conseguem
dimensioná-las em sua inteireza e, menos ainda,
aproximá-las das pessoas. Portanto, melhor será
acompanhar esta exposição que reúne os recentes
trabalhos de um artista sensível, com pleno Domínio de suas técnicas, nos trinta anos de sua
carreira. Sinto-me honrado com seu convite para
escrever estas linhas e feliz de poder participar desta comemoração, que considero justa,pela
excelente contribuição dada por Gilberto Salvador à nossa Cultura.
... riso aberto, incontido, como na infância,
toque sacana de cavaco, como suporte, quase um
samba......"
Paulinho da Viola
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"O Beijo do Vento" - 80 x 110 cm acrílico s/ tela

"Vento Amarelo" acrílico s/ tela

"Rastro Violeta" - 80 x 100 cm acrílico s/ tela
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V.Memórias Visuais
"Três Apara na Primeira da Matança!"
Matei as 2 bolinhas de gude, sem dó de meus
amigos, peguei minha vitória, pus dentro do sa-
quinho com as outras bolinhas, que tinha ganho
no mesmo jogo, de outros amigos e fui pegar minha pipa-raia para empinar. O vento estava bom,
o céu azul e em poucos minutos via, como uma
imagem diminuta aquele brinquedo, que eu fazia
para conversar com os pássaros e ficar empinando, deitado na grama.
Estas imagens de minha infância, assim como as
manchas, que depois foram marcando meu trabalho, já adulto, ficaram em minha memória de
forma prazerosa. As manchas vieram dos pisos e
remendos, no asfalto. As bicicletas que me faziam correr e me deslocar rápido, as pipas, os
pássaros, as bolinhas e por fim as mulheres. As
minhas memórias visuais.
Com estas imagens,que formam minha iconografia,
tive o prazer de usa-los nesta série de quadros, que formam esta exposição. Na verdade não
são somente registros, mas são quase uma homenagem à vida, ao amor e ao homem.
Não sou um artista "pré-conceitual", não estou
preocupado com uma idéia pré-concebida para gerar minha obra, definitivamente sou um homem do
prazer. A natureza, os ventos, os pássaros, as
flores, a água, o café, os doces, as mulheres,
os brinquedos, enfim este é o meu foco.
Memórias visuais, não são nada mais, que uma
seqüência natural de meu trabalho nos últimos
20 anos, onde a cor da natureza de meu país esta registrada de forma quase onírica, mas antes
de tudo, esta série é uma Ode de amor a vida,
como dizia o mestre Antonio Carlos Jobim,
"....Tão longa é a arte e
Tão breve é a vida....".
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