fragmentos críticos


texto: Vários

APESAR DO MÉDICI

Conheci Claudinho ainda estudante. Era o meu aluno na FAU e logo percebi que ele tinha um enorme talento. Eu o acompanhei criando o Che, as histórias em quadrinhos, o Bandido da Luz Vermelha... Uma visão pessoal marcada por uma forte linguagem popular. Depois, na fase “Pigmento, luz e cor”, sua obra passou a ter uma outra ressonância. Acompanhei esta mudança e fiquei feliz porque ele não caiu nas facilidades das novas tendências. Eu discutia muito sobre os caminhos da arte contemporânea com o pessoal da década de 60. Fico orgulhoso quando lembro de ter participado deste tempo que foi, sem dúvida, o mais fértil da arte brasileira. Nunca tentei influenciar o trabalho dos alunos. Com o Claudinho também foi assim. Conversávamos muito e eu sempre fui muito exigente com os meus alunos na questão ética.

Depois, graças ao Médici, fui preso e deportado. Reconstituí minha vida na França, onde moro e continuo trabalhando e pintando há 30 anos. Neste período, não tive o prazer de acompanhar o trabalho deste meu grande amigo crescendo e repertindo pela cidade. Fico sabendo da sua obra pelos jornais, pelos amigos. Mas fecho os olhos e consigo vislumbrar a sua pintura se aplicando no contexto urbano. Repercutindo na amplitude da arte e da arquitetura. Aí fico muito feliz. Com saudade.

Sergio Ferro