fragmentos críticos


texto: Vários

NOS TEMPOS DA POP

Da geração dos artistas emergentes nos anos 60, Claudio Tozzi é, por essa mesma razão, profundamente tocado pelo sentido dos artistas norte-americanos que se notabilizaram no movimento pop. Assim além de suas contribuições na área do “objeto”, as artes gráficas peculiarizam sua produção nesta década e, através da serigrafia, vemos sua temática inspirar-se nos eventos que marcam esses anos: o cosmonauta, explorações interplanetárias, o “Che” Guevara, cenas de multidões, etc, extremamente gráfica. É o artista brasileiro mais próximo da imagética de Roy Lichtenstein. Aos poucos, desenvolveria uma pintura em que mantém um permanente distanciamento físico do gesto sobre a tela, através de técnica pontilhista obtida com o rolo de borracha de superfície reticulada.

Dessa forma, nas diversas séries de suas pinturas, mesmo em Papagália e mais recentemente em suas especulações construtivas de caráter geométrico, essas obras - como aliás o trabalho programado de vários artistas contemporâneos - refletem a postura do artista como projetista, neste ponto quiçá revelando sua formação como arquiteto. Tem exposto amplamente em individuais e coletivas, no Brasil como no exterior, tendo participado, entre outras, da Jovem Arte Contemporânea no MAC-USP, Panorama de Arte Brasileira no MAM - São Paulo. No exterior já se fez presente na Bienal de Veneza , Bienal de Paris, Bienal de Medellín, “Vanguarda Brasileira”, no CAYC de Buenos Aires, Bienal de Havana, Bienal do México, Gelsenkirchen Museum da Alemanha, São Paulo - Rio - Paris. Entre outros prêmios, em 1979, obtém prêmio de viagem ao exterior no Salão Nacional de Arte Moderna.

Em composição dominada pela dinâmica de diagonais a partir de perspectiva aérea, em meio a planos sintéticos de bordos ondulados representando grandes nuvens, ao lado da gigantesca torre, um foguete eleva-se ao ar. Ao mesmo tempo, um segundo plano arquitetônico e retilíneo contribui para conferir a este desenho o caráter essencialmente gráfico das histórias em quadrinhos, embora individualizado o quadro retirado de seu contexto narrativo, bem como na precisão cool de seu traço e massas de cor chapadas.

Aracy Amaral