fragmentos críticos


texto: Mário Schenberg

Cláudio Tozzi é de uma geração artística muito jovem, posterior ao concretismo e que está procurando emancipar-se das coisas geométricas. Você sofreu a influencia da arte geométrica, mas agora está tentando transformar essa arte numa coisa mais vibrante, mais sensorial. Aliás, esse processo foi um pouco do que se deu internacionalmente. Depois do abstracionismo geométrico os artistas passaram para o expressionismo abstrato, uma retomada de Monet, procurando a cor como energia. Você está buscando uma síntese do expressionismo abstrato e da construção geométrica, que pode ser uma tentativa de sintetizar grande parte do século XX.

O processo de criatividade combina elementos de ação consciente e elementos de ação consciente e elementos de ação inconsciente. Isso deve ter sido sempre conhecido. Homero dizia que nada do que ele escrevia era da tua cabeça. Tudo era transmitido pela Musa. A musa era o inconsciente. No século XIX, o matemático e físico francês Poincaré sistematizou a descoberta matemática, que tinha processos conscientes e inconscientes, daí nasceu uma concepção geral da criatividade, uma combinação complexa de elementos consciente e inconsciente. Quando o artista olha para o seu próprio quadro ele o faz condicionado pela sua personalidade. Outra pessoa olha o quadro e vê outra coisa, diferente. Há uma riqueza muito grande de situações, um quadro pode ser interpretado de muitas maneiras diferentes. Uma geração vê a arte de uma determinada maneira, a geração seguinte vê de outra. A arte, a partir de um determinado momento, se torna independente do artista, tem sua própria história.

Mário Schenberg