fragmentos críticos


texto: Fábio Magalhães

"Esse procedimento na aplicação cromática não tem nenhuma identidade com a técnica pontilhista e, apesar de sugerir uma aparência neo-impressionista, na verdade, trata-se de uma experimentação gráfica.

Nos últimos anos seu trabalho adquiriu maior força pictórica. À sua preocupação construtiva somam-se aspectos novos: a matéria, a textura, o recorte, a volumetria.

A pintura é ela própria o objeto expressivo. O tema, praticamente ausente, não tem implicações metafóricas e é tratado como mero pretexto formal. Cláudio Tozzi trabalha com maior intensidade e autonomia os problemas construtivos e a cor.

As formas atuam como planos de cor e definem, através de seu contorno, uma dinâmica visual que nos reporta à pintura italiana dos futuristas - principalmente Balla, Severini e Boccioni.

A cor já não é mais expressada pela simples aplicação mecânica de rolo de borracha. Agora a pigmentação é trabalhada pelo toque do pincel e dá resultados diversos na superfície dos planos, ampliando sua carga poética e sua eficácia pictórica.

Cláudio Tozzi desenvolve tonalidades especificas para cada situação, chega a empregar o pó de cobre, de ferro e de latão para obter os efeitos desejados de pigmentação e de textura.

Nos seus últimos trabalhos a cor ganha matéria por meio de um processo de acumulação. Fragmentos e cortados geometricamente os planos são reagrupados dentro de uma ordem compositiva que não opera mais na dinâmica "futurista" das combinações de curvas, retas e ângulos, mas se organizam como zonas de tensão, como centros irradiadores, como formas em movimento de expansão e contração.

Esses trabalhos, sem duvida, anunciam uma nova fase. Diferem dos demais por apresentarem uma nova plasticidade, um tratamento espacial escultórico, uma materialidade explícita. No entanto não são produto de uma ruptura. Mantêm como característica essencial o lado racional, intelectual, que sempre se sobrepôs à emoção nas diversas fases da obra de Cláudio Tozzi. "

Fábio Magalhães
Maio, 1988