fragmentos críticos


texto: Olívio Tavares de Araújo

"...é necessário reexaminar a obra de Cláudio Tozzi - que, embora jovem, tem mais de 20 anos de carreira regular - como a produção de um pintor de pintura e não de um ilustrador temático. Mais ainda, Tozzi se enquadra numa linha das mais ilustres da arte brasileira, que é da arte construtivista, a que também alimenta, no fundo, grande parte da melhor criação de toda a América LatinaTozzi, na verdade, nunca foi um artista de programa. Isto é, nunca se ligou a nenhum grupo especifico. Nunca procurou se adequar a nenhuma tese intelectual. Nem cerceou seu desejo de investigar qualquer filão (a fase tropicalista esta aí, de prova). Mas, subjacente a toda essa liberdade, existiu sempre o rigor de quem procura formas estáveis e permanentes.

Nesse caminho, o esforço de Tozzi foi sempre conciliar harmonicamente duas vertentes: a figuração e a abstração. Em alguns momentos, predominou nitidamente a primeira; em outros, se impõe à pura geometria colorida. A cor, aliás, tem sido outro dos elementos especificamente pictóricos que interessam ao artista Tozzi, que lhe dedicou, há muitos anos, uma de suas melhores fases: "Cor/Pigmento/Luz". É com cores, com formas, e mais recentemente com recortes, que Tozzi constrói paciente e lucidamente sua obra, e não com temas episódicos. Esses temas (elementos arquitetônicos, por exemplo, já que ele tem formação de arquiteto) podem estar na gênese de cada trabalho. Mas os problemas formais são resolvidos com um raciocínio abstrato. Para Tozzi, como dizia mestre Volpi de sua própria obra, a criação é uma questão de "forma, linha e cor". E é sob o ângulo de sua competência ao lidar com esses elementos construtivos que sua arte tem que ser observada, avaliada e apreciada."

Olívio Tavares de Araújo.