obra em construção


cor/pigmento/luz

A sua obra vai sofrer uma transformação profunda a partir de experiências com a cor realizadas em 1974 e 1975. A exposição realizada em São Paulo, na Galeria Bonfiglioli, em 1975, que reuniu essas obras, com o titulo de "Cor/Pigmento/luz", causou uma enorme e gratificante surpresa àqueles que acompanhavam a obra do artista, quando os trabalhos apresentados quase nada guardavam da sua trajetória anterior. Parecia que a exposição marcava um rompimento irreconciliável, ou que a obra perdera sua organicidade. Na sua preocupação quase cientifica com a cor, e nos excelentes resultados com a geometria cromática, permanece, entretanto, o elemento que sempre caracterizou sua arte - o tratamento gráfico.

Uma forte preocupação construtiva vai orientar suas pesquisas com a cor. Nesse processo de novas experimentações volta-se, mais uma vez, à figuração com as séries "Colcha de Retalhos" e "Trama Urbana". As inovações com a cor vão incorporar-se às experiências anteriores, enriquecendo-as. Sua obra, aparentemente, retorna a organicidade de conjunto; mas a partir da exposição "Cor/ Pigmento/Luz", já não é mais a mesma. Ganha maior plasticidade ao incorporar a cor na sua dimensão construtiva, sem abdicar, na sua pintura, dos aspectos gráficos que, embora presentes, já não são tão determinantes na sua obra.

Os estudos com "Cor/ Pigmento/Luz" significaram uma transformação na sua linguagem, ampliando suas possibilidades de tratamento visual. Logo após uma fase de experimentação, até mesmo de arte conceitual coma cor, o artista procurou incorporar esses novos valores ao conjunto da sua obra e utiliza-os muitas vezes para a reinterpretação de temas urbanos, predominantes no conjunto de sua obra, pelo menos entre os anos de 1978 e 1980.

A natureza com o emprego da cor reticulada, intensa e vibrante, é interpretada pelo artista de uma maneira intelectual. São imagens montadas, organizadas a partir da escolha de pormenores retirados de diversos negativos e de lugares variados. Suas paisagens beira-mar são geométricas, portanto abstrata, e de um racionalismo cromático. Como recortes que se encaixam, uma somatória de elementos compõe a cena. Não provoca a sensação de atmosfera. Não há bucolismo, senão uma fria referencia a ele quando retrata a natureza através de agrupamentos, as vezes exuberantes, de símbolos tropicais. Nas suas paisagens, tudo está claramente definido e organizado, evitando qualquer envolvimento emocional, e conduzindo-nos a uma leitura mais intelectual.