CLAUDIA SIMÕES E SUAS CELEBRAÇÕES
Por
EDUARDO YAZIGI
Críticos de pintura costumam trabalhar as virtudes do cromatismo dos movimentos da elegância, das inserções nas correntes da arte, as mesmas coisas que é preciso dizer sobre todos. Considero o dernier cri pouco útil em Clausia Simões, porque as influências dos padrões vigentes não resistem a sua força. Esta mulher é inatingível por princípios “do que é preciso ser momento": é esta liberdade de pensamento que sustenta tôdas teorias da criatividade conhecidas, de Fegurson a Arthur Koestler. Eu, entretanto, apenas um amante de recados passados por imagens, pensei que com esta apresentação, devia antes mesmo ir, até onde a pintura de Claudia Simões se relaciona com um país como o Canadá. Foi aí que me dei conta que clima, costumes, língua, tudo que isto que nos separa, acaba se unindo com sua pintura. Ou não é assim?

Convenhamos : a pintura de Claudia Simões só é tenuamente identificada com um lugar, porque representa a geografia do infinito – isso permite a um indonésio ou canadense captarem significados próximos, como deviam ser as aspirações por tempos de paz. Mesmo que seus retratos surjam no Brasil, acabam nada tendo dele, de Bali ou do Quênia. O que suas cenas revelam é o mundo visto do Brasil, naquilo que ele tem de melhor a alegria de viver. Não são as cores do Brasil, mas uma possível cumplicidade do homem de qualquer parte com a natureza, nesses lugares ainda possíveis em nosso mundo calcinado. Sua modernidade é precisamente esta. Claudia Simões é como o enquadramento de suas pinturas: o olhar (como o plano geral em cinema, se preferirem) que permite apreender o todo de um momento que teima em ser eterno.

Claudia mora numa casa de muitos jovens, profusão de plantas, acordes musicais, e mais: luz de vela, objetos de decoração, portas sempre abertas para o mundo, o mundo numa casa e ainda, sonhos, muito sonhos.

Depois dos tempos, quando restarem apenas os quadros, a lembrança sobre sua arte, será apenas aquilo que um distante pesquisador terá alcançado.

Eis porque, o privilégio de brindar com a artista é um dom reservado aos que vivem o mesmo presente. Em principio o futuro terá de dialogar sozinho com quadros como esses, mas se falamos em “diálogo" teremos deixado de estar sós seremos nós e a pintura...Alguns artistas abrem caminhos, Claudia Simões

Abre os corações e por isso falam para a eternidade.




Brasileira com Aquarelas

Agora em Vancouver, na Galeria Mout da Vancouver Public Library, podes ver o trabalho da Claudia Simões de 1 a 14 de Dezembro. "A exposição se chama Amazônia e foi pintada a partir de uma viagem que fez a essa região em julho deste ano" disse Claudia. "Como sabem, a Amazônia é uma região onde se encontra um gigantesco lençol de águas, parece um grande mar. Por isso mesmo, a população dessa região é também chamada de O povo das águas".

Paisagens Raras da Amazônia

"Fugindo aos esteriótipos, Claudia Simões nos leva para bem longe em suas viagens, remetendo às paragens do imaginário, suscitando-nos estados d’álma. Junto com ela percorremos rios - mares, voamos com a liberdade dos pássaros, aquietando-nos no ato de pescar-pensando, transitamos pelo atemporal e podemos nos reconhecer em tons tropicais d’água - céu - rio - floresta. A cada vez , suas aquarelas nos revelam algo muito particular seu, seja na explosão e domínio técnico, seja na apreciação prazeirosa das imagens reveladas.
TINA CARVALHO
Amiga de muitas viagens
Jornal Lusitânia - Vancouver - BB - Canada.




AS CORES QUE ELA PINTA
Por
Joyce Cavalccante

Não são propriamente cores as cores que a artista plástica Cláudia Simões pinta. Se traduzem mais como sons retirados da luz ou em forma de melodias, musicalidade, sonoridade que pode-se perfeitamente ouvir, ou como ruídos da natureza: o chiado das folhas da bananeira, o marulho das ondas, a sibilação do vento. Por esse ângulo suas obras nos dão a perfeita percepção dos sons, por isso, além de vê-las, podemos escutá-las.

Seus azuis são teimosos, temperamentais quase irreconciliáveis. Saltam da tela para os olhos e dai invadem os demais sentidos. Era pra ser assim desde o começo dos tempos. O universo deveria ter a cor de um veranico, a cor ideal. Mas já que nem sempre tem, a artista pinta e reproduz em sua obra aquilo que vê a partir de seu dentro para o seu afora. Tudo claro e brilhante, criativamente texturizado, esfumaçado ou contornado assim como concebido desde o gênese. Me deixa morar nesse azul?

As cores do salmão quando desmaiam tornam-se rosa. Mas podem se tornar também num céu irado. Onde já se viu um céu com tanto diferencial? Pode ser que seja um céu visto da praia de Alcântara, no nordeste do Brasil. Pode ser que seja um crepúsculo em Bali lá nos confins do mundo, ou na enseada do Bonete, aqui em São Paulo, onde a artista mantém um atelier. Pode ser uma plena alvorada da Tanzânia ou um meio-dia escaldante em um daqueles cafés do verão de Veneza. Ou quem sabe tanta púrpura venha do oriente, China, Laos e outras paragens? Pois é viajando pelo mundo inteiro que Cláudia persegue as cores as quais aprisiona em suas aquarelas, para depois libertar essas mesmas cores em cachos de bananas, coqueiros, mulheres, mascates, surfistas, janelas, barcos; paisagens brasileiras readmitidas como conteúdo funcional do universo artístico.

Com formação acadêmica em ciências exatas, graduada em física nuclear, CS nunca abriu mão de enxergar poesia em tudo que seus sentidos até hoje captaram. Essa energia transformou-se em um profundo amor pela natureza, como ela mesma dá testemunho. Cumprindo como se fora um ciclo, esse amor transmutou-se em objetos de arte sincrônicos aos fenômenos naturais observados, movimentando o croma do cosmo.

Creio que foi por aqui que ela encontrou as explosões do amarelo, do ocre e do mostarda, resultando o material em imaterial.

Há muito de atitude pessoal envolvida na proposta artística e humanitária de CS, quando uma mancha branca – ou várias delas – se escrutinadas com cuidado se tornam garças amazônicas em vôo rasante, gritando para chamar o viajante. Mistérios e sondagens entre o céu e o mar quando se mesclam às espumas, dando para vislumbrar um golfinho exarcado. Onde foi? Pode ter sido em qualquer lugar pois o mundo é uma concha.

Sempre controlável em sua magnitude, por meio da sua arte não ficamos devendo nada à globalização iniciada por Marco Polo, aquele que transportou a massa da pizza do Egito para a Itália, e o macarrão também, só que o trouxe da China. Claudia transporta as cores.

Nas corredeiras dos rios, nas encostas, na maré alta e nos acampamentos debaixo das árvores, o olhar da artista contempla as grandes pescarias. Para alegrar os corações capazes de tanto, ela pinta sons usando técnica e luzes. É assim que gera a transformação do panorama artístico brasileiro, propondo obras justamente necessárias e acrescentadoras.


* A romancista Joyce Cavalccante é autora de sete livros de ficção de prosa. É também presidente da REBRA-Rede de Escritoras Brasileiras, e membro do conselho diretor na RELAT-Red de Escritoras Latinoamericanas.

www.geocities.com/~joycava




"Claudia Simões, aquarelista iniciada em múltiplas artes, agora pintando o Pasquim 21.

Claudia Simões, tem formação multidiciplinar, é graduada em física pela Pontifícia Universidade Católica – PUC em 1974; na Universidade de São Paulo -USP, cursou pós-graduação em física quântica, realizou pesquisas no Instituto Oceanográfico e trabalhou no Reator Atomico, 1972 a 1975.

Iniciou suas atividades como pintora em 1990, e frequentou os atelliers de Rubens Matuck, Ubirajara Ribeiro, Carlos Fajardo e Evandro Carlos Jardim.

Sua obra tem obtido grande repercussão junto à imprensa e meios de comunicação e recebido comentários de críticos, curadores e colecionadores brasileiros e internacionais. Desde 1998, conta com o apoio dos papéis Arches de Paris.

Em suas frequentes viagens, seja pelos cinco continentes ou pelas trilhas da Mantiqueira, capta não só a paisagem, como também a cultura, a religiosidade e o espírito dos locais por onde passa e os transforma em séries de aquarelas de técnica apurada e rara beleza. Infinitos espaços de céu, atmosfera, mar, terra, onde o horizonte oscila, levando o apreciador a penetrar nessa viagem íntima, uníssono de ser com a natureza.

Seus trabalhos vem sendo apresentados durante esses anos, em mostras individuais e coletivas, no Brasil e pelo mundo.

Principais exposições coletivas: Bienal Íbero-Americana de Aquarela, em Viña del Mar, Chile, 1996; Bras Art, Prefeitura de Paris, França, 1998; 1ª Bienal de Aquarelas do Museu de Arte Latino - Americano de Miami, EUA, 2000; Acqua Brasil, edições de 2000 e 2001, em Veneza, Roma, Milão e Pavia, na Itália.

Principais mostras individuais: Galeria Ives Fay, Paris, França; Museu de Arte Moderna de Resende, Rio de Janeiro; Galeria Hebraica, São Paulo, em 1998; Biblioteca Municipal de São Paulo, 1999; Galeria Santa Putra, Bali, Indonésia; Galeria Quadra, Paris, em 2001.

Claudia Simões foi convidada para participar, de um projeto de exposições, Imagens do Brasil, no Canadá e na Austrália, em setembro de 2002; e da exposição Arte e Esporte, com o título Drop Total , que será realizada entre 20 e 29 de outubro de 2002. Durante esse evento que atrai surfistas do mundo inteiro e é uma etapa do Campeonato Mundial de Surf, W.C.T. que será realizado no Rio de Janeiro, em Saquarema. "




"As amplas paisagens em aquarela de Claudia Simões, são a Re-Apresentação - Integral da Natureza.

Infinitos espaços de céu, atmosfera, mar e terra, onde o horizonte oscila, levando o apreciador a penetrar nesta íntima viagem de Claudia: uníssono de ser com a natureza."

Iole Di Natale
Artísta Plástica
Fundadora do Núcleo de Aquarelistas - FASM




"Claudia,
Seria o sentido da cor uma coisa do espírito?
Cinzas pintadas pelos pintores holandeses
Criam na retina, verdes, azuis e violetas.
Na umidade da paleta da aquarela
corre o espectro, grita a luz.
No papel intocado das incertezas do branco
caminham raciocínios tingidos de vivência
de terras visitadas nas fendas,
nos campos da África.
Onde os passos, os mesmos,
Se encontram nas paisagens."

Rubens Matuck
Artista Plástico




O Mundo como Exercício

“De extença formação acadêmica e artística, exposições no Brasil, América Latina e Europa, a física nuclear Claudia Simões trocou o reator atômico pela arte.

Em suas freqüentes viagens, seja pela África, Extremo Oriente ou pelas trilhas da Mantiqueira, capta não só a paisagem como também a cultura, religiosidade e espírito dos locais por onde passa e os transforma em séries de aquarelas de técnica apurada e rara beleza.

Extrai a energia da natureza com pincelas precisas, cores ora pastéis e delicadas, ora fortes e agressivas que estimulam e sensibilizam o olhar. São releituras de cenas retidas em seu imaginário que adquirem movimento e nos transportam para diferentes e estranhos mundo."

Meiri Levin
Curadora




Com pincéis e espátulas para levar a tinta a óleo para a tela se faz a pintura, Com grafites, pontas e penas para traçar o papel se faz desenho.

Com pincéis macios e pigmentos solúveis em água Claudia Simões faz interressantíssimas aquarelas cujas imagens revelam bem mais do que uma técnica apurada, carinho, talento e muita dedicação. As duas deliciosas aquarelas não só gratificam o observador mais exigente como satisfazm crações e mentes dos que procuram a arte em busca do “algo mais que transcende papel e tinta". Atenciosa nos detalhes sem se distrair em minúcias desnecessárias Claudia Simões é uma artista que utiliza com maestria a difícil técnica da aquarela como mídia para generosamente comunicar com a gente o sumo de suas ricas experiencias, nos transformando, com seu raro entusiasmo, em experimentadores virtuais do mesmo prazer que sente ao ciar.

Antônio Peticov
artista




A aquarela que Claudia Simões apresenta nesta exposição possuem uma preciosa potencialidade: provocam um pprocesso de internalização que raramente testemunhei em obras de arte.

Esses trabalhos têm a capacidade de nos fazer viver espaçøs e dimensões não apenas de maneira intelectual, mas tambem como sensações corporais muito nítidas. Têm a qualidade de atingir nossos centros corporais, transformando sua proposta em conquista efetiva. Sob sua aparente simplicidade, as aquarelas de Claudia estimulam uma sensibilização em profundidade, levando-nos a um a vivênca profunda de especialidades que muitas vezes nos passam despercebidas

Ivaldo Bertazzo coreógrafo




O trabalho de Claudia, dentro de leveza da aquarela, consegue dar um sentimento, às vezes intensivo e forte, às vezes sutil e delicado, criando contrastes emocionantes, difíceis de se conseguir nesse tipo de pintura. Até parece música.

Ivan Lins
músico