artesdoispontos.com

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Dia 7 faz exatamente dois meses que o artes: começou a ser gerado para a Internet. No dia 7 de setembro sob o embalo da data histórica pedi o domínio da marca. Foi o primeiro passo. Por quê artesdoispontos? Porque é o logotipo que o jornal tem desde sua fundação em setembro de 1965. Laïs Moura e eu decidimos naquele mês e ano editar e publicar um jornal mensal totalmente dedicado às artes.

Dia 12 de novembro de 1965 , no MASP, da rua 7 de abril, 230, no prédio dos Diários Associados, do Assis Chateaubriand, o Pietro Maria Bardi que era o diretor abriu o salão principal para o lançamento. Bardi, Picasso, Gaugin, Van Gogh, Leger, Braque, Matisse, Toulouse-Lautrec e outros famosos nos deram as boas-vindas.

Dia 12 de novembro, na próxima terça-feira. ao completar 37 anos, artes: estará na Internet.

Há dois meses minha vida é escrever, diagramar, selecionar imagens, revisar, corrigir, passar e receber e-mails, cuidar da parte burocrática. Criar o artes: para a Internet.

Nessa empreitada conto com o webdesigner Victor Labate. Uma semana após o domínio aprovado começamos a trabalhar. Descendente de italianos, acertamos nossos ponteiros comendo uma pizza na Castelões. Um Valpolicella selou nosso compromisso. Depois da sobremesa, um gâteau de chocolate com calda de maracujá, começamos a trabalhar. Não paramos até agora.

Semana passada, para ganhar tempo, almoçamos aqui na redação. Fiz um farfalle a marinara. Gravatinhas com atum, sardinha e kani. Antepasto, surpresa do Victor, pão italiano e mozarela de búfala compradas no “Bixiga”. Vinho, seco, tinto, de mesa, San Tomé, de Jundiaí. Tipo de vinho de colono, camponês.

Falamos do Romanée-Conti que o Duda Mendonça ofereceu a Lula para comemorar a vitória no primeiro turno, do magno Don Perignon que FHC levou para comemorar o réveilon no forte de Copacabana e de mulheres (muito) e de futebol (pouco).

Um documentário em que vi o Giuseppe Tornatore falar da Sicília foi meu assunto. O Etna ainda não tinha começado a castigar a ilha. O cineasta comentava o jeito siciliano de ser. Do mutismo, de como os sicilianos se comunicam por sinais, olhares, mímicas sutis ou escachadas. Fruto do silêncio imposto por invasores.

Aprendi com Tornatore que os sicilianos adoram dormir. Se você quiser brigar com um é só acordá-lo. Vira fera. Acho que devo ter um lado siciliano. Detesto ser acordado.

Meu avô materno era italiano. Da Calábria. Ao contrário da imagem de que os calabreses são briguentos, encrenqueiros, era um homem elegante , educado, delicado. No dia-a-dia usava ternos de brim caqui e colete. No bolso, o relógio de ouro, preso pela corrente.

Costumava me dar pedaços de pão italiano mergulhando-os no copo de vinho. Eu tinha 4, 5 anos. Às vezes quando tomo meu copo de vinho diário, faço um brinde para meu avô. Foi com ele que aprendi a gostar de vinho. É coisa antiga.

Bem, e o artes: ? Minha mãe dizia que elogio em boca própria é palavrão. Prefiro não falar nada. Acessem http://www.artesdoispontos.com . Estamos lá. E aqui no Jig. No www.art-bonobo.com.br .

Fizemos o que tínhamos que fazer. Com a graça de Deus.

Ontem o artes: entrou na Internet em caráter experimental. Estamos fazendo os últimos acertos. Mas basicamente o artes: é o que está no ar. Continuarei opinativo, parcial, apaixonado. Às vezes duro como dizia Che, mas sem perder a ternura.


Carlos von Schmidt
4 de novembro de 2002 11,45h