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Design e arte dividem espaço no MAM

por ANA WEISS
Especial para o Jornal O Estado de São Paulo


"Em dez anos de carreira, os irmãos Campana seduziram a indústria italiana de design, sobretudo a de Milão, onde estrearam com uma luminária batizada de Estela, nome do tecido emborrachado com o qual a peça é feita - material que os italianos até hoje importam do Brasil, para depois revender por aqui o produto final a preços pouco simpáticos. Em 1998, Fernando e Humberto ganharam uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), graças ao convite da curadora de Design e Arquitetura do museu, a italiana Paola Antonelli, que veio ao País pela primeira vez há dois anos, também seduzida pela criação da dupla.
Os Campanas tornaram-se em pouco tempo uma referência do design brasileiro e, ainda assim, tiveram de esperar dez anos para ter a primeira peça produzida por uma indústria nacional. Foi a Cia. de Tapetes Ocidentais a primeira e, até agora, a única a reproduzir a criação dos dois irmãos. A próxima exposição dos designers tenta exatamente chamar a atenção para esse problema de identidade que o design tem no País: de um lado, as indústrias deixam de produzir criações de talentos por entender que o teor artístico encarece a peça; do outro, o circuito expositivo abre pouco espaço para os objetos de natureza utilitária. "Depois da época de ouro do Masp, o design ficou excluído do circuito artístico no Brasil", comenta Humberto Campana, ressalvando o esforço de museus como a Casa Brasileira.
Entre o Design e a Arte vai reunir, a partir do dia 30 de março, 48 peças dos irmãos Campana e obras de artistas plásticos contemporâneos do acervo do MAM. Ao lado de peças como a luminária Estela (produzida pela O Luce, de Milão), serão mostrados trabalhos que fazem referência aos objetos cotidianos, mas, ao contrário das criações dos Campanas, não têm qualquer função utilitária. É o caso do Conteiner e da Escada, de Ana Maria Tavares: o primeiro, uma estrutura de aço vazado, ou seja, impossibilitado de guardar qualquer coisa, e a segunda, uma uma escada na qual não se pode subir.
Limite - "Nossa aproximação com o design vai se dar por meio das artes visuais, que é o campo de atuação do museu", observa Tadeu Chiarelli, diretor do MAM e curador da exposição ao lado de Rejane Cintrão. "A idéia é colocar lado a lado o design e a arte com criações que operam no limite." Daí o título da exposição.
A mostra marca o início de uma nova política do museu. "Além de exposições, planejamos abrir o acervo para peças de design", comenta o diretor, que pretende organizar uma mostra com trabalhos de designers jovens, ainda sem nenhum nome definido. "O design com o qual queremos trabalhar é aquele envolvido no universo da arte", reforça ele. Segundo o curador, a mostra que inaugura a nova fase do museu diz respeito à forma com a qual o design se desenvolveu no Brasil e, mais especificamente, em São Paulo. "Esse tipo de atividade sempre teve representantes que atuam nos extremos da criação, como Geraldo de Barros", exemplifica.
A primeira parte da exposição, na chamada grande sala do MAM, reunirá os trabalhos mais recentes dos irmãos Campana, a maioria comercializada na Itália e vista no MoMA, como é o caso da Cadeira de Discos (1992), da Poltrona Vermelha (1993), do Sofá de Papelão (1993), da Mesa Inflável (1995) e da Cadeira de Aguar Jardim (1995). Ao caminhar pela exposição, o público poderá ver criações mais antigas da dupla, ao lado de outras como um colar de Nazareth Pacheco e um letreiro de Waltércio Caldas.
São peças de mobília, luminárias e até esculturas, que os curadores decidiram aproximar das criações dos artistas plásticos. Nessa fase da exposição, o que se vê são testemunhos de um período menos festejado da trajetória dos Campanas, feitos no início da carreira, uma fase experimentalista que legou alguns trabalhos únicos."



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Campana Campana
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