CURRICULUM
EXPOSIÇÕES
Center for Inter-American Relations
New York - NY - USA
1969






Igrejas Barrocas de Minas

Aguilar falando em linha e cor de barroco, ainda é barroco, que o jovem mantém, em toda a sua obra, a síntese de "pecado e perdão" que a gente da contra-reforma viu na pérola não perfeita, mas já esboço de círculo exato.

As cidades mineiras com o seu casarío de portas almofadadas e janelas-rótulas, onde a confidência e a lealdade foram virtudes maiores de que as diferenciações mínimas de cor e casta, e onde, por primeira vez, em grupo, poetas celebraram um povo sem escravidões, tem um ponto mais algo, igreja. E os Anjos têm máscaras semelhantes às nossas, construídas em dor e gozo, mas solitárias sempre.

Este roteiro de agora, gravuras em preto e branco, claro escuro, azul vermelho, rosa verde, nos comunica a presença dos Apóstolos fixados na pedra que a mão disforme ainda que perfeita de Aleijadinho trabalhou naquelas velhas minas gerais, onde o ouro cobriu os cabelos das libertas por Chico - Rei, o rebelde, assim como cobriu os mantos dos Santos, libertos em Cristo.

Aguilar que de herança tem Tereza de Ávila e Juan que se apelidou da Cruz, cantores do eterno e operários do seu século, continuados em José o de Tenerife, Amchieta, o que subiu a Serra do Mar de quatro, para fundar uma cidade em nome de Paulo, o que falava a todos os povos, e onde quase 400 anos depois nasceu este outro barroco que nos dá sua violenta e terna visão de cidade e igreja barrocas. A mão do artista está iluminada por séculos de amor e compreensão. Que os olhos daqueles que olham, estejam também.

Neli Dutra